O treinamento digital e as diferentes gerações

Diversos autores citam diariamente em seus discursos e artigos a tradicional categorização das gerações em Baby Boomers, X, Y, Z e Milleniums, com uma ou outra variação de um autor para outro.

Essa divisão parece servir bem para ações mercadológicas, no que diz respeito a campanhas gerais, no entanto acaba se mostrando limitante, se considerarmos nichos com características variáveis, que se não servem para ações macro, devem ao menos ser consideradas quando já definimos um grupo target e dentro dele aparecem subgrupos diferenciados. Complexo? Não, nem tanto.

Vamos exemplificar: imagine que vamos fazer uma campanha para um novo console de games. Após diversas pesquisas realizadas, concluímos que nosso público-alvo faz parte das categorias Y e Z. Perfeito. Lançamos o produto com um apelo geral voltado para tais grupos.

Alguns meses depois do lançamento, o CEO da empresa dona do tal console assiste a um programa de esportes digitais na TV e fica pasmo ao descobrir que está ocorrendo um campeonato mundial de games para competidores da terceira idade.

E mais, especialistas em games afirmam que esses Baby Boomers são feras nos jogos. O CEO encomenda uma pesquisa e descobre que tem mais Baby Boomers e geração X jogando do que ele poderia imaginar. O que fazer? Mudar toda a estratégia da campanha esquecendo os grupos mais jovens? 

Claro que não, esse é um mercado já conquistado e de características conhecidas. O desafio, agora, é agregar valores ao seu produto, à sua marca, que façam sentido também para esse novo público que surgiu.

Mas o que marketing e campanhas de comunicação de mercado têm a ver com treinamento e educação digitais?

Olhando inicialmente e por cima, nada. Porém, é interessante saber que autores criadores e replicadores de metodologias de aprendizagem também usam o sistema BB, X, Y, Z e Milleniums para desenhar e desenvolver seus objetos e recursos de treinamento.

É notório que para desenvolver e aplicar um projeto de treinamento ou educacional, seja digital ou não, é fundamental avaliarmos o perfil do público a quem nos dirigimos. O problema é que se torna difícil ou quase impossível elegermos um público absolutamente homogêneo, se considerarmos características diversas.

Então, as características que vão nos interessar, são aquelas que poderão influir diretamente nos resultados que pretendemos atingir com nossas ações de aplicação de metodologias de aprendizagem.

Vamos lá, uma característica importante é o grau de escolaridade predominante em meu grupo-alvo. Sim, importante, mas não é a única. Foco de nosso assunto, vamos escolher a geração à qual pertence a maioria dos componentes de nosso grupo. Para isso, vamos usar a classificação BB, X, Y, Z, Millenium.

Mas na prática, essa característica é relevante?

A maior parte das empresas tende a escolher seus profissionais para uma determinada área, usando, dentre outros critérios como conhecimento técnico, capacidade de comunicação e integração, a faixa etária. Então, não é difícil encontrar um departamento ou setor de uma empresa com a grande maioria dos colaboradores ali atuantes, pertencentes à mesma faixa etária.

Isto posto, vamos falar um pouco sobre como aprendem os representantes típicos de cada grupo dessa classificação geracional.

Os dados de enquadramento neste ou naquele grupo podem variar um pouco de autor para autor – um ou dois anos para cima ou para baixo – mas basicamente é isto:

Baby Boomers (nascidos entre 1940 e 1960)

Os Baby Boomers são os nascidos entre 1940 e 1960. Valorizam um emprego para a vida toda e a ascensão profissional. São competitivos, contestadores e focados em resultados (priorizam a eficácia dos métodos).

Em relação à tecnologia, os Baby Boomers costumam utilizar laptops e smartphones. Porém, o uso desses dispositivos ainda é para fins mais tradicionais (comunicação e consumo de mídia). Apesar de que mais recentemente têm se engajado em redes sociais, como Facebook e em grupos de WhatsApp.

Suas principais características de aprendizado são:

  • Possuem um raciocínio linear, focando na aprendizagem com início, meio e fim;
  • Preferem a leitura e gostam de seguir programas de ensino tradicionais;
  • Dão grande importância ao treinamento, principalmente relacionado a tecnologias.

Geração X (nascida entre 1961 e 1980)

As pessoas da Geração X são nascidas no período que vai de 1961 até 1980. São orientados para os objetivos e querem ter a liberdade de tomar suas próprias decisões.

Buscam a ascensão profissional e aprimoramento de suas habilidades. Não são nativos digitais, mas adquirem experiência e conhecimentos e transitam bem pelo ciberespaço.

Suas principais características de aprendizado são:

  • Busca para se adaptar cada vez mais e melhor às tecnologias digitais;
  • Consumo de informação tanto via mídias digitais quanto tradicionais offline;
  • Valorização da aprendizagem colaborativa – apreciam o compartilhamento de suas experiências com outras pessoas.

Geração Y (nascida entre 1981 e 1995)

Nasceram e cresceram em meio à proliferação e acessibilidade à Internet e novas tecnologias digitais. É a geração moldada pela influência high tech.

Herdeiros de características dos Yuppies, muitos tornaram-se os empresários da tecnologia com serviços, como redes sociais e cursos online.

Também conhecidos como millennials (nome criado pelos sociólogos Neil Howe e William Strauss), essa geração não tem problemas em compartilhar toda sua vida online. Uma característica marcante é a experimentação da individualidade e autossuficiência.

De modo geral, para essa geração, ser relevante no mundo é vivenciar experiências exclusivas e ser interessante. Assim buscam entre seus pares pessoas que também lhes pareçam interessantes.

Gostam de mídias e métodos inovadores, em processos educacionais. Suas principais características de aprendizado são:

  • Acostumados e confortáveis com o grande fluxo de informações;
  • Consomem informações com facilidade e rapidez;
  • Gostam de aprender informalmente;
  • São multitarefas, mas também apresentam raciocínio linear.

Geração Z (nascida entre 1996 e 2009)

A Geração Z (ou Centennials) está recém chegada ao mercado de trabalho. São jovens altamente conectados em rede e com conhecimento de cibertecnologia.

Normalmente não são preocupados com limites geográficos. Para eles, qualquer lugar do mundo é acessível. Não são afeitos a burocracia e gostam da ideia de trabalhar em home office. São mobile e social media natives, ou seja, são os primeiros nativos digitais.

Suas principais características de aprendizado são:

  • Consomem informação por meio de dispositivos móveis e têm preferência por conteúdos visuais – como vídeos curtos, fotos e jogos;
  • Aprendem de múltiplas maneiras, são multifocais e convergem em diferentes plataformas;
  • São autodidatas e buscam por informações que não conhecem na internet.

O desafio de ensinar às diferentes gerações

Os desafios de compreender diferentes gerações já são grandes, porém, como já mencionamos, ainda é preciso considerar que muitas vezes a faixa etária sozinha não define um perfil geracional.

Existem pessoas de 20 ou 30 anos de idade com mentalidade e comportamento de Baby Boomers, assim como encontramos indivíduos com 60 anos ou mais, com perfil típico de Centennials. Isso mostra, que em grande parte das situações, o comportamento do indivíduo está mais vinculado ao perfil, à cultura e à educação do que à faixa etária.

E poder contar com os conhecimentos, as experiências e habilidades de diversas gerações entre os colaboradores pode ser uma vantagem estratégica para a organização.

Programas de treinamento para diferentes gerações são desafios, que exigem trabalho de pessoas bem qualificadas, tanto em Metodologias e Técnicas Educacionais quanto em Comunicação Social.

Um bom Especialista em Metodologias Educacionais é capaz de orientar adequadamente a elaboração e colaborar na construção e implementação de um projeto eficiente e eficaz.

Usando princípios metodológicos bem fundamentados e as tecnologias mais adequadas, torna-se possível combinar uma capacitação semipresencial para os Baby Boomers com informações rápidas e acessíveis para a Geração Z, por exemplo.

Mesmo que não tenhamos em nossos quadros de colaboradores um especialista na área, existem hoje consultorias e prestadores de serviços especializados em treinamento e aprendizagem, que podem auxiliar bastante nesse desafio, que precisa ser superado pelas organizações, para que permaneçam competitivas no mercado.

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