Conheça 5 Métodos Tradicionais de Desenho Instrucional

O Desenho Instrucional (Instrucional Design), para que possa ter reconhecimento da comunidade acadêmica no desenvolvimento de seus modelos e práticas, deve seguir princípios e métodos científicos, tais como a experimentação, a observação, a reprodutibilidade, dentre outros.

Preferimos definir o DI (Desenho instrucional) como sendo a aplicação criativa de um conjunto de ações, baseadas em um ou mais métodos criados com fundamentações em princípios de ciências reconhecidas, que tem por objetivo favorecer o processo de aprendizagem em todos os níveis possíveis.

De modo mais simplificado: os modelos de Desenho Instrucional fornecem orientações para as organizações de contextos pedagógicos ou andragógicos apropriados ao atingimento dos objetivos instrucionais ou de aprendizagem.

Perpassamos neste artigo, resumidamente, alguns modelos de Desenho Instrucional amplamente utilizados em todo o mundo:

Modelo ADDIE

Nos detivemos na explanação desse modelo em artigo anterior, que publicamos em nosso blog (link logo abaixo).

No modelo ADDIE o desenhista instrucional navega por cinco etapas ou fases, a saber: Análise; Design (Desenho); Desenvolvimento; Implementação e; Avaliação.

Esse modelo conta com algum tempo de existência, foi lá pelos anos 80 que tomou o formato mais próximo do usado atualmente, como apontamos em nosso artigo de 24 de fevereiro de 2015: “Entenda os Modelo ADDIE para o Desenho Instrucional”.

 

Os 9 eventos de instrução de Gagné

Robert Gagné foi um psicólogo educacional. É de sua autoria a obra “Como se realiza a Aprendizagem”.

Ele considera a aprendizagem como um processo de mudança interior do indivíduo. Diz ainda que condições internas e externas diferentes são necessárias para cada tipo de aprendizado.

Tarefas objetivando o aprendizado de habilidades intelectuais segundo Gagné, podem ser hierarquizadas, de acordo com o grau de complexidade.

A essa hierarquia correspondem 9 eventos de instrução:

 

  1. Obtenção de atenção (apresente um cenário ou problema capaz de despertar a atenção do público);
  2. Informação do objetivo (comunique claramente o objetivo e como o conhecimento a ser adquirido poderá ser utilizado);
  3. Estimulação de lembrança de aprendizado anterior (conecte o tema a conhecimentos prévios do aluno);
  4. Apresentação de estímulo (aborde o conteúdo de modo a gerar estímulos, evitando informações muito densas e cansativas);
  5. Fornecimento de orientação (use técnicas para aumentar a retenção do conhecimento no longo prazo, tais como casos práticos e analogias);
  6. Elicitação de Performance (crie mecanismos para que o aluno pratique o que aprendeu, o que permite que confirme o entendimento);
  7. Fornecimento de feedback (sempre posicione o aluno sobre acertos e erros, justificando cada feedback);
  8. Avaliação de desempenho (meça adequadamente se os alunos aprenderam);
  9. Aumento de retenção (adote estratégias para perpetuar a aprendizagem e aprimorar a retenção do conhecimento).
 

Modelo ASSURE

Apresenta as seguintes etapas de ação:

 

  1. Análise da audiência (conheça as características gerais do público-alvo, como aprendem, níveis prévios de conhecimento, etc.)
  2. Declaração clara dos objetivos de aprendizagem;
  3. Estratégia e mídia (seleção de materiais, estratégias, tecnologias e mídias);
  4. Cenário de aprendizagem (adoção de um cenário/contexto de aprendizagem que propicie a aprendizagem);
  5. Participação (uso de estratégias ativas que garantam a participação e maior engajamento dos alunos);
  6. Avaliação e revisão (mensuração do programa, com a identificação de pontos de melhoria para o futuro).
 

Princípios de instrução Merrill

Método que consiste na instrução centrada em problemas e que é composta por cinco princípios essenciais:

 

  1. Demonstração (exemplificação clara de um problema ou tarefa visando melhor absorção do conhecimento pelo aluno);
  2. Aplicação (garante que os alunos apliquem o que estão estudando por meio da resolução de problemas ou desafios);
  3. Ativação (consiste em conectar os novos conhecimentos a antigos conhecimentos e/ou experiências anteriores);
  4. Integração (garante que o aluno aplique o que aprendeu);
  5. Engajamento (garante o envolvimento dos alunos, por meio de estratégias educacionais aderentes ao público-alvo).
 

Modelo de Desenho Instrucional Morrison, Ross e Kemp

Conhecido também como o modelo Kemp, é composto por 9 elementos de desenho:

 

  1. Definição dos objetivos e identificação dos problemas de instrução;
  2. Identificação das características e perfil do aluno;
  3. Identificação do conteúdo a ser abordado;
  4. Estabelecimento dos objetivos instrucionais;
  5. Sequenciamento lógico do conteúdo;
  6. Estabelecimento de estratégias que visem domínio do aluno sobre o conteúdo e alcance dos objetivos;
  7. Planejamento instrucional da mensagem e dos meios de entrega;
  8. Desenvolvimento de instrumentos de avaliação;
  9. Seleção de recursos de apoio ao processo de aprendizagem.
 

Em verdade, os diversos modelos para o Desenho Instrucional têm o mesmo objetivo:  atingir os melhores níveis possíveis no processo de aprendizagem. 

Também é importante ressaltar que não são modelos excludentes, ou seja, é possível adotar estratégias que combinem princípios de diferentes modelos, sendo que vários deles aparecem repetidos em diferentes métodos.

A adoção de um modelo ou de seus princípios depende de uma série de fatores tais como: características do público alvo, tipos de conteúdo/temáticas, níveis de aprofundamento nos temas, prazo e know-how de execução, orçamento disponível, tecnologias à disposição, dentre outros.

Equipe Clarity Solutions

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