Como desenhar um ambiente imersivo para a aprendizagem por meio da realidade virtual

A realidade virtual (RV) não é uma tecnologia recente, mas a popularização de dispositivos como smartphones, videogames e outros hardwares especiais para esta finalidade fizeram o interesse por esse tipo de experiência aumentar consideravelmente na última década, o que também inclui a área educacional.

Grande parte dos interessados tem muita curiosidade pela RV, demonstra desejo de utilizá-la em seus projetos, mas muitas vezes não possui uma aplicação prática ou enfrenta a dificuldade de definir claramente como ela deveria ser.

Nesse contexto, é claro que os especialistas no uso e aplicações da realidade virtual desempenham um papel fundamental, que é aproximar a viabilidade técnica da tecnologia das ideias ou desejos daqueles que buscam esse tipo de solução.

Um princípio fundamental é colocar a perspectiva do usuário como prioridade. Quem desenha ou elabora uma experiência por meio da RV precisa tratar os usuários como iniciantes, em um primeiro momento. Isso significa apresentar instruções básicas muito claras e permitir a livre exploração do ambiente virtual.

Ainda no início da nova experiência o usuário deve ser orientado, no sentido de aprender a realizar ações básicas ou movimentos, que serão necessários ao longo da sua jornada imersiva. Esse cuidado prepara os usuários para uma experiência mais positiva e engajadora.

No livro VR UX: 100 Pages of VR UX, Design, Sound, Storytelling, Movement & Controls, o autor Casey Fictum explora uma série de recomendações, para quem atua com o desenho de soluções baseadas em RV.

Segundo ele, é necessário estabelecer uma estratégia, para garantir uma experiência bem sucedida por meio da RV. Tal estratégia está baseada nos seguintes princípios:

  •     pense e descreva uma breve narrativa do que acontecerá na jornada imersiva;
  •     defina personas e suas motivações;
  •     pesquise e selecione as ferramentas que serão utilizadas;
  •     pense e desenhe um modelo de interações;
  •     esboce e roteirize o que acontecerá;
  •       adicione recursos como áudio, dicas, etc.;
  •     desenvolva um plano de testes;
  •     faça um protótipo e aplique os ajustes necessários à estratégia.

A narrativa funciona como um fio condutor para todo o processo criativo, sendo fundamental conhecer as características do público-alvo, a fim de aproximar o contexto das motivações, o que eleva o grau de identificação e engajamento.

Um conceito amplamente adotado e muito bem sucedido, quando o objetivo é capacitar ou desenvolver pessoas, é o de contextualizar a aplicação da RV com a resolução de um problema, tarefa ou desafio. Ao mesmo tempo é necessário garantir que a experiência seja agradável e garanta algum nível de entretenimento. Esse equilíbrio também é fundamental, o que muitas vezes dependerá da duração da experiência.

A experiência do usuário não deve ser cansativa, por isso devemos pensar em jornadas breves (inferiores a dez minutos). Se o desafio for extenso, divida-o em fases, que permitam ao participante sua execução aos poucos. Algumas pessoas poderão sentir efeitos como náusea, enjoo ou até tontura, caso o tempo de permanência dentro da experiência RV não seja curto. O conforto do usuário é um dos conceitos primordiais, que Fictum também aborda em seu livro.

Outro cuidado citado no livro é a otimização para o desempenho, o que está relacionado não somente ao tempo de duração da experiência imersiva, mas também à execução adequada da tecnologia nos dispositivos adotados, ou seja, a tecnologia deve rodar de forma fluída, sem lentidão, travamentos ou outros tipos de problemas técnicos.

Por fim, Fictum também defende que o uso dos recursos de áudio é primordial, para uma experiência bem sucedida. Isso significa que a imersão não deve ser somente visual, mas também auditiva, o que na prática a torna mais completa e atrativa.

Caso você queira aprofundar os seus conhecimentos no tema, sugerimos a leitura deste artigo do nosso blog: Realidade Virtual – O que é e o papel que desempenha na Educação Corporativa

Equipe Clarity Solutions

Referências: Designing an Immersive Environment from the User’s Perspective – eLearn Magazine

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